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4º Domingo da Quaresma 2022 Arrependimento. Voltar para Deus.

Arrependimento. Voltar para Deus
  • Categoria: Geral
  • Publicação: 31/12/1969 21:00
  • Autor: Dom Paulo Roberto Beloto


4º Domingo da Quaresma 2022
Reflexão da Liturgia Dominical
Lucas 15 é o centro da revelação. As parábolas da ovelha, da moeda e do pai misericordioso revelam o conteúdo central da mensagem do Evangelho: Deus nos ama e quer nos salvar. Ele ama os pecadores com sua misericórdia.
A parábola do pai misericordioso. O pai é a figura central na história. Características das suas atitudes: a humildade – respeita a liberdade do filho, aceita limitar o seu poder; a esperança – espera com ansiedade o regresso do filho; a misericórdia – não olha o seu pecado, mas o seu coração arrependido, o seu amor pelos dois filhos transforma-os em irmãos; a coragem – vai ao encontro do filho, a sua autoridade não está na distância, mas no amor; a alegria – a volta do filho provoca festa e alegria, é sinal de vida; o sofrimento – a parábola revela um Deus que sofre, porque ama, não é indiferente.
O erro do filho caçula é deixar o que tem de mais valioso para viver só. O pecado é a divisão dos bens, a vontade de ser dono de sua vida, de querer colocar-se no lugar de Deus, de separar-se dele. A sua tragédia é a degradação. É muito importante o seu caminho de volta. Precisamos chegar a Deus como pobres e confessar a nossa culpa. A experiência da degradação e do silêncio gera a conversão. A salvação do filho acontece na humildade, no reconhecimento de suas necessidades e na coragem de dizer a verdade sobre si. É importante reconhecer o exílio exterior, que é a saudade de casa. Mas muito mais importante é reconhecer o exílio interior, a raiz profunda do mal, o reconhecimento que pecamos contra Deus.
O filho mais velho é digno de todos os elogios, pois nunca transgrediu nada. Mas não compreende as atitudes do pai, é distante. O seu pecado é não perdoar. Nunca entendeu o que é o amor. A vizinhança exterior não significa a vizinhança do coração. A figura do filho mais velho lembra os fariseus, que tinham uma compreensão equivocada da justiça. Para eles, a salvação é mérito humano. O homem dá o primeiro passo, e Deus retribui como devedor, de acordo com as obras. Essa compreensão de Deus e da religião é estreita, fechada e exclusivista. Muitos não participam da graça, mas ela é para todos.
Deus vem a nós na pessoa de Jesus para nos resgatar. Ele vem em busca da humanidade ferida para curar. Ama sem olhar a nossa condição.
As parábolas continuam em nossa vida. Elas nos convidam a celebrarmos a misericórdia do Pai. Somos a ovelha desgarrada, a moeda perdida que Deus procura no meio do lixo, o filho que quer viver só e fazer da vida o que bem entender, como se Deus não existisse, o filho que se fecha na sua justiça e não entende o que é o perdão e o amor.
Jesus conta as parábolas para nos ajudar a celebrar a nossa condição de novas criaturas. Quem está em Cristo é uma criatura nova (2 Cor 5,17). Ele é a nossa reconciliação. O nosso caminho é a pátria de Deus, a pátria do amor. Como é bom confiar no perdão e na misericórdia de Deus! Só vamos reencontrar esta pátria e este caminho, chegando à pobreza.
O caminho da santidade não consiste na total ausência de falhas e pecados, mas na total confiança e abandono nas mãos de Deus. Ele usa dos nossos pecados para abençoar-nos e purificar-nos do mal. Sem o pecado nunca suspeitávamos da insondável riqueza da sabedoria e do amor de Deus. Mas somente o pecado reconhecido pode tornar-se um bem.
O Papa Francisco diz que “Deus é paciente conosco, porque nos ama; e quem ama compreende, espera, dá confiança, não abandona, não corta as pontes, sabe perdoar”. Deus tem paciência para conosco, espera o nosso tempo e nos pede também a prática dessa virtude. Por que a contrariedade, o nervosismo, a irritabilidade, o descontrole, o mau humor do filho mais velho? Nos momentos de tensões produzimos os maiores erros. Precisamos fazer as pazes com os nossos defeitos. Para isso é preciso humildade. Ela é caminho para Deus. A humildade é o remédio para curar as feridas de nosso coração.
Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano